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O MORCEGO E A MULHER DA MATA




Próximo a uma floresta vivia a mulher do sorriso encantado.
Essa mulher vivia isolada em seu mundo, apesar de estar perto do vai-e-vem típico da cidade grande.

Ela gostava de caminhar quando anoitecia, e em todas as noites de lua cheia, passeava pelos arredores de sua casa, para apreciar a beleza da lua e seu brilho enluarado.

Certa vez, numa dessas noites iluminadas, o morcego das-bandas-de-lá apareceu na mata, e sem aviso prévio, seduziu a mulher e alimentou-se do seu sangue, mas partiu quando a mulher se distraiu, como que encantada com a visita dele.

Outras vezes o morcego voltou, seduziu, encantou e se alimentou da mulher, para depois desaparecer pela mata.

A mulher enfraquecia-se com sua partida, punia-se por desejá-lo mais e mais para oferecer-lhe seu sangue, mas sonhava com seu retorno todas as noites de lua cheia, e implorava a ela que ele voltasse.

Conta a lenda, que após um tempo, seu sangue renovava-se e sua força crescia cada vez mais, mas sua alma, inexplicavelmente, tornava-se mais brilhante.

Certo dia, após o morcego retornar e seduzi-la mais uma vez, a mulher distraiu-se e novamente ele partiu sem lhe dar adeus.
Mas naquela noite, a lua deixou-se registrar como um espelho, todo o momento da sedução. E a mulher pode ver através dela as imagens do instante de prazer com o morcego.
Viu que no momento que ele se alimentava com seu sangue, escorria um soro cristalino de seus dentes.
E a refrescância que ela sentia naquela hora, era na verdade o soro, que penetrava-lhe e alimentava não só o corpo, mas a alma da mulher, tornando-a excepcionalmente iluminada.


Ana Martins

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